Método
Como isto é pontuado
Há aqui dois objetos matemáticos diferentes, e confundi-los é o erro que faz testes como este parecerem arbitrários.
Uma probabilidade posterior sobre as tradições é o que escolhe a próxima pergunta — ela responde “qual pergunta me diria mais?”. Uma pontuação de concordância é o que você vê — ela responde “o quanto as minhas posições correspondem às desta tradição?”. A primeira é uma probabilidade e soma 1. A segunda é uma similaridade, é independente por tradição e não soma coisa alguma. Mostrar a primeira chamando-a de segunda é por que “87% budista, 84% unitarista” parece significar algo e não significa.
O que você vê
agreement(t) = 1 − ( Σᵢ wᵢ · |uᵢ − vt,i| / (1 + σt,i) ) ⁄ Σᵢ wᵢ
uᵢ sua posição inferida no eixo i, em [0,1] · wᵢ confiança nessa posição — zero se o eixo nunca foi estabelecido, reduzida se você respondeu “não sei” · v a posição da tradição · σ a variação interna que a tradição genuinamente tolera, o que suaviza a penalidade para tradições diversas.
Cada tradição é pontuada na sua própria escala de 0 a 100 e o conjunto deliberadamente não é normalizado. Duas tradições podem ambas marcar 91%, e isso é uma afirmação verdadeira e interessante sobre elas. Normalizar é justamente o que faz os números dependerem de quais outras tradições estejam na lista.
O que o motor faz
q* = argmaxq [ H(T) − Σa∈q P(a) · H(T | a) ]
Mantém-se uma posterior P(t) sobre as 65 tradições. Para cada pergunta candidata calcula-se a redução esperada de entropia entre as respostas possíveis, e pergunta-se aquela que mais reduz. A verossimilhança vem dos mesmos v e σ através de um núcleo logístico: uma resposta distante da posição de uma tradição, em relação à sua dispersão, é improvável sob aquela tradição.
As restrições que mantêm isto honesto
- Entre 8 e 14 perguntas. Abaixo de oito parece barato por melhor que seja a matemática; acima de catorze a taxa de conclusão cai mais rápido do que a precisão sobe.
- Pelo menos 10 eixos estabelecidos antes de parar. O ganho puro de informação resolve alegremente um ranking com quatro eixos. Você não acreditaria nele, e teria razão em não acreditar — um resultado construído sobre quatro eixos é genuinamente frágil.
- Cobertura dos cinco grupos — pelo menos 2 do divino e pelo menos uma de conhecimento, do eu, da prática e do mundo. A1 é perguntado diretamente em toda sessão, porque é o que separa os resultados não teístas dos outros cinquenta e cinco.
- No máximo 2 perguntas sobre o mesmo eixo. Impede que o motor perfure uma dimensão só porque a achou informativa.
- “Não sei” é uma resposta de verdade. Ela produz uma verossimilhança plana — nenhuma atualização — e baixa a confiança informada com o seu resultado. Nenhuma posição que você se recusou a tomar é jamais atribuída a você.
A priori, e uma armadilha
Ponderar a posterior inicial pelo número de pessoas que seguem cada tradição torna a seleção de perguntas sensivelmente mais eficiente. Também enviesa os resultados na direção das maiores tradições, e se isso tocasse os resultados o teste não valeria nada. Como são dois objetos diferentes, dá para ter os dois: uma priori ponderada por adesão para escolher perguntas, e uma priori plana para as pontuações de concordância que você vê. Seu resultado nunca depende de quão popular uma crença é.
Os dezessete eixos
Nenhum pressupõe teísmo, nenhum usa vocabulário de iniciado, e cada um é uma pergunta que alguém atento consegue responder sobre si mesmo. Cada tradição também carrega uma dispersão por eixo — quanta variação interna ela genuinamente tolera. O hinduísmo é largo em pluralidade e estreito em pertencimento; o judaísmo reformista é largo em quase tudo. Sem isso, tradições internamente diversas são penalizadas injustamente por qualquer resposta afastada do seu centro.
A · O divino
- A1 Realidade divina — Se existe algo além do mundo físico descrito pela observação comum.nada além do natural → uma realidade divina existe com certeza
- A2 Pessoalidade — Se algo último existe, se é o tipo de coisa a que se pode dirigir a palavra.princípio ou ordem impessoal → um ser pessoal a quem se pode falar
- A3 Pluralidade — Se o sagrado é singular ou povoado por muitos poderes distintos.estritamente um → muitos poderes e espíritos
- A4 Locus — Se o último está fora do mundo ou o satura.inteiramente além do mundo → plenamente presente nele
B · Conhecimento e autoridade
- B1 Fonte da verdade — De onde vem o conhecimento confiável sobre as coisas últimas.revelada e fixa → razão e experiência direta
- B2 Leitura do texto sagrado — Como um texto fundador — se houver um — deve ser lido.literal e vinculante → metafórica, ou nenhum texto
- B3 Autoridade institucional — Quem resolve uma questão disputada sobre o que é verdadeiro ou correto.o clero e a tradição decidem → a consciência individual decide
C · O eu e o destino
- C1 Sobrevivência do eu — Se algo de uma pessoa persiste depois que o corpo para.termina na morte → continua de alguma forma
- C2 Forma do tempo — Se a existência corre uma só vez rumo a um fim ou gira em ciclos.uma vida e depois o juízo → retorno cíclico
- C3 A condição humana — O que há de errado com as pessoas, se é que há algo.decaída e carente de resgate → ignorante, mas fundamentalmente sã
D · Prática
- D1 Mecanismo do bem último — Se o melhor desfecho é recebido ou conquistado.dado como graça → alcançado por esforço ou discernimento
- D2 Centralidade do ritual — O quanto a prática prescrita importa para viver bem.essencial e prescrito → opcional ou ausente
- D3 O corpo — Se ter corpo é um obstáculo a administrar ou um bem a desfrutar.a ser disciplinado → a ser celebrado
E · Mundo e os outros
- E1 Exclusividade — Se um caminho é o único correto ou se vários levam ao mesmo lugar.um único caminho verdadeiro → muitos caminhos válidos
- E2 Origem do cosmos — Se o universo foi querido, ou simplesmente é.um ato intencional → sem início ou natural
- E3 Locus do pertencimento — Se pertencer é algo em que se nasce ou algo que se escolhe.um povo, herdado → uma escolha individual
- E4 Estatuto da natureza — Se o mundo natural é um recurso, um dom, ou um sujeito por direito próprio.criação, dada para uso → animada e ela própria sagrada
O banco de perguntas
85 perguntas, cada uma marcada com os eixos em que carrega e com um peso. Duas regras governam a redação e ambas são mais difíceis do que parecem. Nada de vocabulário de iniciado: “você acredita na graça?” só funciona para quem já está dentro de um quadro cristão. Nada de teísmo pressuposto: “o que Deus quer de você?” já decidiu dois eixos antes de você responder. Pergunte pela situação, não pela doutrina.
Fontes
Cada uma das 1105 células cita uma de 66 fontes. A matriz inteira é publicada — veja as tradições — porque uma alegação de exatidão que não se pode conferir não é uma alegação de exatidão.
- Catechism of the Catholic Church (2nd ed., 1997) — Enunciado definitivo da doutrina católica romana; os parágrafos são citados célula a célula na página da tradição.
- Nicene-Constantinopolitan Creed (381) — Base credal compartilhada por católicos, ortodoxos, anglicanos e a maior parte dos corpos protestantes.
- Confession of Dositheus (1672) and the Philokalia — Referência dogmática e ascética padrão da Ortodoxia Oriental.
- Coptic Orthodox catechetical texts and the Council of Ephesus (431) — Cristologia e prática da Ortodoxia Oriental (não calcedoniana).
- The Book of Concord (1580) — Corpus confessional luterano, incluindo a Confissão de Augsburgo.
- Thirty-Nine Articles (1571) and the Book of Common Prayer — Padrão doutrinário e litúrgico anglicano.
- Westminster Confession of Faith (1646) — Padrão confessional reformado/calvinista.
- Schleitheim Confession (1527) and Dordrecht Confession (1632) — Declarações doutrinárias anabatistas e menonitas.
- Baptist Faith and Message (2000) and the Lausanne Covenant (1974) — Declarações doutrinárias representativas do campo batista e evangelical.
- Assemblies of God Statement of Fundamental Truths (1916, rev.) — Doutrina pentecostal representativa.
- Quaker Faith & Practice (Britain Yearly Meeting) and Barclay’s Apology (1678) — Fontes quacres liberais e clássicas.
- Articles of Faith (1842), Doctrine and Covenants, Book of Mormon — Corpus escriturístico e doutrinário dos Santos dos Últimos Dias.
- Watch Tower doctrinal publications and the New World Translation — Padrões doutrinários das Testemunhas de Jeová.
- Borg, Spong and the Center for Progressive Christianity’s Eight Points — Posições representativas do cristianismo progressista.
- Qur’an with the Sahih collections and classical Sunni fiqh — Escritura e jurisprudência islâmicas sunitas.
- Nahj al-Balagha, al-Kafi, and Twelver usul al-din — Fontes doutrinárias xiitas duodecimanas.
- Ismaili ta’wil literature and contemporary Imamate guidance — Interpretação esotérica nizarita ismaelita e autoridade viva do imamato.
- Ibn ʿArabi, al-Ghazali’s Ihyaʿ, and Rumi’s Mathnawi — Metafísica e prática sufis clássicas.
- Tanakh, Mishnah and Shulchan Aruch — Base escriturística e haláchica do judaísmo ortodoxo.
- Emet Ve-Emunah (1988) and Committee on Jewish Law and Standards responsa — Posições do judaísmo conservador/masorti.
- Pittsburgh Platform (1885) and the Columbus (1937) / Centenary (1976) statements — Plataformas do judaísmo reformista.
- Kaplan, Judaism as a Civilization (1934) — Texto fundador do judaísmo reconstrucionista.
- Bahaʼuʼllah, Kitab-i-Aqdas and Kitab-i-Iqan — Escritura bahá’í e ordem administrativa.
- Epistles of Wisdom (Rasaʼil al-Hikma) and scholarly ethnography — Doutrina drusa, em boa parte esotérica e conhecida por relato secundário.
- Rastafari oral tradition, the Holy Piby, and Chevannes’ ethnography — Crença rastafári conforme documentada pela pesquisa acadêmica; o movimento não é credal.
- Avesta, the Gathas, and the Denkard — Escritura zoroastriana e compêndios teológicos em pahlavi.
- Pali Canon (Sutta, Vinaya and Abhidhamma Pitakas) — Base escriturística do budismo theravada.
- Lotus, Heart and Vimalakirti Sutras; Nagarjuna’s Mulamadhyamakakarika — Fontes escriturísticas e filosóficas mahayana.
- Dogen’s Shobogenzo and the Platform Sutra — Fontes soto e chan/zen.
- Larger Sukhavativyuha Sutra and Shinran’s Kyogyoshinsho — Fontes escriturísticas e doutrinárias da Terra Pura.
- Tibetan tantric commentarial literature and Lamrim texts — Prática e doutrina vajrayana.
- Batchelor, Buddhism Without Beliefs (1997) and After Buddhism (2015) — Releitura secular do cânone budista.
- Shankara’s Brahmasutrabhasya and the principal Upanishads — Fontes não dualistas do Advaita Vedanta.
- Ramanuja’s Sribhasya and the Divya Prabandham — Vedanta não dualista qualificado.
- Madhva’s Anuvyakhyana and Dvaita commentarial tradition — Vedanta dualista.
- Bhagavata Purana, Caitanya Caritamrta and Prabhupada’s commentaries — Teologia devocional vaishnava gaudiya.
- Shaiva Agamas, Tirumantiram and Kashmir Shaiva Pratyabhijna texts — Fontes doutrinárias shaivas de várias escolas.
- Devi Mahatmya and the Shakta Tantras — Fontes escriturísticas shaktas.
- Patanjali’s Yoga Sutras and the Samkhyakarika — Metafísica e prática samkhya-ioga.
- Tattvartha Sutra and the Jain Agamas — Base doutrinária jainista comum às seitas.
- Guru Granth Sahib and the Rehat Maryada — Escritura sique e código de conduta.
- Daodejing and Zhuangzi — Fontes do taoismo filosófico.
- Daozang liturgical corpus and Quanzhen/Zhengyi practice — Ritual e alquimia interna do taoismo religioso.
- Analects, Mencius, and the Neo-Confucian Four Books — Fontes canônicas confucianas.
- Kojiki, Nihon Shoki, and Jinja Honcho practice guidance — Fontes mitológicas e institucionais do xintoísmo.
- Ethnographic scholarship on Chinese popular religion (Feuchtwang, Yang) — Religião popular chinesa tal como praticada, e não como codificada.
- Umbanda terreiro practice and Ortiz, A Morte Branca do Feiticeiro Negro — A umbanda como prática sincrética brasileira; não há um texto canônico único.
- Candomblé oral tradition and Bastide, The African Religions of Brazil — Prática e cosmologia do candomblé, específicas de cada nação.
- Kardec, The Spirits’ Book (1857) and The Gospel According to Spiritism (1864) — Doutrina codificada do espiritismo kardecista.
- Haitian Vodou ritual practice and Desmangles, The Faces of the Gods — Cosmologia do vodu haitiano e o serviço aos lwás.
- Lucumí/Santería ritual practice and Brandon, Santeria from Africa to the New World — Doutrina da Regla de Ocha e estrutura de iniciação.
- Odu Ifa corpus and Abimbola’s scholarship — Adivinhação e cosmologia do Ifá iorubá.
- Gardner, Witchcraft Today (1954); Valiente’s Charge of the Goddess — Material fundador e litúrgico wiccano.
- Poetic and Prose Eddas with contemporary Asatru organisational statements — Fontes heathen/ásatrú, de método reconstrucionista.
- Holmes, The Science of Mind (1926) and Unity’s statements of belief — Metafísica do Novo Pensamento.
- UUA Seven Principles and Six Sources — Pacto não credal unitarista universalista.
- Humanist Manifesto III (2003) and the Amsterdam Declaration (2002) — Posições declaradas do humanismo secular organizado.
- Contemporary philosophical naturalism (Dennett, Sellars, Papineau) — O naturalismo metafísico como posição filosófica.
- Huxley’s 1889 essay on agnosticism and contemporary epistemic treatments — O agnosticismo como afirmação sobre o conhecimento, não sobre Deus.
- Epictetus’ Discourses, Marcus Aurelius’ Meditations, Seneca’s Letters — Corpus estoico romano; física crisipeana quando pertinente.
- Letter to Menoeceus, Principal Doctrines, Lucretius’ De Rerum Natura — Física e ética epicuristas.
- Sartre, Existentialism is a Humanism; de Beauvoir, The Ethics of Ambiguity — Existencialismo ateu.
- Spinoza’s Ethics and the World Pantheist Movement statement — Panteísmo clássico e naturalista.
- Paine, The Age of Reason (1794); Herbert of Cherbury’s common notions — Posições deístas.
- Survey scholarship on the spiritual-but-not-religious (Pew, Fuller, Mercadante) — Uma população descrita, não uma doutrina; por isso as dispersões são largas.
- Adler’s founding addresses and AEU statements of purpose — A Cultura Ética como religião ética não teísta.